quarta-feira, 22 de julho de 2009

We're a bunch of microbes

Deu no New York Times!

"The typical human is home to a vast array of microbes. If you were to count them, you’d find that microbial cells outnumber your own by a factor of 10. On a cell-by-cell basis, then, you are only 10 percent human. For the rest, you are microbial. (Why don’t you see this when you look in the mirror? Because most of the microbes are bacteria, and bacterial cells are generally much smaller than animal cells. They may make up 90 percent of the cells, but they’re not 90 percent of your bulk.) "

http://judson.blogs.nytimes.com/2009/07/21/microbes-r-us/

Amazing, no?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

La Môme

Le film « Edith Piaf » raconte la vie de la célebrée chanteuse française dans l’avis de le cinéaste Olivier Dahan.

L’histoire n’est pas comptée comme une ligne, mais comme se nous étions devant de un kaléidoscope, où scènes de sa enfance, jeunesse, maturité et fin sont réunis et mêlées. Personne qui ne connaît pas la vie de Piaf (comme moi jusqu’à allors) peut être confuse, mais va aimer le film malgré cela.

Dotée d'une voix puissante, « la Môme » a été une femme d’apperance fragile, dont vie intense – marquée par l’alcool, les drogues, les tragédies, les amoureux et les scandales – chargerait un prix à sa santé : à ses dernier instants, à l’âge de 47 ans, elle semble avoir plus de 60 ans.

La scène que m’a plus emué a été celle où elle reçoit la nouvelle de la mort de Marcel Cerdan, le grand amour de sa vie, dans un accident d’avion (celui s’écrase aux Açores). J’ai perdu une ami récemment de la même manière et je n’ai pas pu éviter pleurer.

Après voir le film, J’ai lu un peu sur la vie d’Edith et J’ai découvert que Cerdan a prit l’avion au lieu du bateau parce que elle lui a demandé avec insistance (elle a voulu le voir bientôt). Je pense que elle probablement a senti très coupable par cela.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quand Angèle fut seule

Le conte « Quand Angèle fut seule » raconte l’histoire d'Angèle, plus exactement au moment où elle est sortie du cimetière après l’enterrement de son mari, Baptiste.

Angèle a perdu l’homme que a vécu avec elle pendant vingt ans. Mais elle ne semble pas triste. Vraiment, elle semble très confortable : quand sa voisine Cécile lui demande se elle n'a besoin de rien, son pensée « de quoi aurait-elle pu avoir besoin ? » semble indiquer que elle ne manque de rien ni de personne, malgré sa récente solitude.

Au long de la lecture, on découvre qu'Angèle n’a pas été heureuse. Cécile un jour lui avait dit « qu’il semblait avoir aperçu Baptiste discutant avec Germaine Richard, près de la vigne ». Les mots de sa voisine semblaient suggérer qu'il y avait entre Baptiste et Germaine plus que de l'amitié.

Bien que le récit ne soit pas à la première personne, le discours semble traduire tout le temps les pensées d'Angèle. Des informations sont cachées au lecteur. Comme la mort de Baptiste a été énigmatique (le médecin ne comprenait pas sa maladie), on peut penser qu'Angèle a été la responsable de son mal – mais on ne pourra jamais le savoir, ni l'affirmer.

Dom Casmurro

Quand j’ai lu « Quand Angèle fut seule », ça a été inévitable de penser au roman « Dom Casmurro », écrit par l’auteur brésilien Machado de Assis. Narré à la première personne, le livre raconte la histoire de Bentinho et Capitu. Ils sont connus quand ils étaient enfants et sont mariés quand ils sont devenus. Mais ce que semble être une simple histoire d’amour change quand le meilleur ami de Bentinho, Escobar, meurt.

Bentinho observe Capitu devant le cadavre de son ami et pense que ses « yeux de gitane, obliques et dissimulés » expriment beaucoup de douleur, ou plus que de la douleur : ils expriment de la passion. À partir de ce moment, tout change. Pour Bentinho, son fils avec Capitu, Ezequiel, ressemble de plus en plus avec Escobar : c’est pour lui la preuve de la trahison de Capitu.

Il est sûr que Capitu a été la maîtresse d’ Escobar. Ils se séparent. Capitu embarque avec son fils pour l’Europe, où ils meurent sans revoir Bentinho, pendant qu'il reste seul chez lui. Le mystère « Capitu a trahi Bentinho ? » n’est révélé jamais.

À mon avis, les deux histoires ont en commun l’idée que le manque de vérité entre homme et femme, plus que la jalousie, peut être moralement – ou même littéralement ! – fatal.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Não consigo deixar de pensar na mãe da Drica. O que passará pela sua cabeça? Aquela vastidão azul. Onde estará minha filha? Uma agulha no palheiro. Aquela massa imensa de água contra ela. Entre ela e sua filhinha. Meu Deus em que eu não creio, como isso dói. Amém, amém, amém.

- Amém, amém, amém.

Consigo ouvir a Drica falando isso daquele jeito engraçado dela, como se fosse um personagem recém saído de um sitcom. Consigo imaginar o ritmo do gesto, da voz, a expressão, o olhar, o arquear de suas sobrancelhas daquele jeito tão divertido.

Ah, Adriana... não pode ser... não com a nossa Adriana.

Volta para dizer que foi mais uma das suas aventuras. Vem nos contar como é que foi. Vem, que eu acredito que você ainda está aqui, de alguma forma, que você vai marcar um almoço conosco na próxima semana para nos dizer o que aconteceu...

Lost. Completely lost.

Será tolice? Será teimosia minha? Mas é tão difícil aceitar. Eu ainda não aceito. Deem-me provas concretas dessa sandice que estão dizendo. Quero pensar no piloto que pousou sobre as águas do Hudson. Nos milagres que vez por outra se conta nos jornais.

Será que é mesmo verdade?

Se é verdade, eu não posso deixar de comparar tua partida – ai, que estranho escrever isso, que estranho – não posso deixar de comparar com o destino que teve outro jornalista, outro coleguinha nosso, o Silva Jardim.

Tragado pelo Vesúvio, até no fim teve de ser extraordinário.

Com você... será? Será o mesmo? Será mesmo?

Por que não se publica uma linha aqui no Império? Por quê? Até isso me revolta! Você me trouxe até aqui, lembra? Eu não esqueci não!

Ah, Drica... tão divertida... tão sincera... tão amiga. Ah, Drica, Drica, Drica...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Construindo uma imagem

Estou com vontade de fazer um estudo analisando as notícias veiculadas pela BBC de Londres a respeito do continente africano.

Sistematicamente, a gigante midiática veicula notícias como uma que escutei hoje pela manhã, sobre gangues que assassinam albinos em série em Burundi para vender partes dos cadáveres a grupos que realizam rituais de bruxaria na Tanzânia.

Exótico, grotesco, bizarro. Essa costuma ser a tônica da maior parte das notícias produzidas a respeito daquele continente, sempre dando a impressão de que a mama África é uma terra atrasada e ignóbil, completamente mergulhada na ignorância.

(O que serve como justificativa ideológica para as constantes intervenções de organismos internacionais supostamente bem intencionados na região).

Lembro-me de que uma vez, na creche da minha filha mais velha, solicitaram uma pesquisa sobre a cultura africana. Imagino o sem-número de pais que mandaram imagens de comunidades tribais, com indumentárias primitivas e coisas do gênero.

Eu fiz questão de mandar imagens da nova capital que será construída em Angola. Linda, com desenho do Oscar Niemeyer.

Por que África tem de ser sinônimo de miséria e atraso?

Será pelo mesmo motivo que o Oriente é sinônimo de mistério e ebulição?

Por que achamos que os europeus são mais cultos e educados que nós?

Que dizer dos hooligans, que em matéria de brutalidade nada diferem dos imbecis que a caminho do Maracanã destroem lixeiras, depredam o patrimônio, agridem e matam?

Em que um hoolingan é menos selvagem e assassino que um integrante dessas gangues do Burundi?

Só porque nasceu em solo europeu?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Bartleby, o escriturário

O pequeno conto “Bartleby”, de Herman Melville, é uma daquelas leituras que se fixam no imaginário menos pelo que dizem que pelo que deixam de dizer. Cabe ao leitor preencher as lacunas a seu modo.

O livro é narrado em primeira pessoa. A voz que fala é a de um advogado em Wall Street, por volta dos sessenta anos, pouco preocupado com o poder, tampouco com a glória. Sua existência é assumida e deliberadamente distinta da que seria a de um poeta; para ele, “a vida mais fácil é também a melhor”; como advogado, não ambiciona grandes feitos, apenas uma renda razoável e regular; não sente qualquer mal estar com a ideia de ocupar vitaliciamente um cargo em que não pudesse executar efetivamente nada, desde que bem remunerado, como conselheiro do extinto Tribunal de Chancelaria.

As janelas de seu escritório, no segundo andar de um prédio qualquer em Wall Street, vislumbram, de um lado, uma vista que “podia ser considerada mais insípida do que qualquer outra coisa e carente daquilo que os paisagistas chamam de ‘vida’”; e de outro, “uma imensa parede de tijolos escurecidos pelo tempo e pela permanente ausência de sol”. Mas para esse homem aparentemente sem paixões ou interesses estéticos mais amplos, nada disso parece ter importância.

O conto avança como um estudo da mente desse advogado, que em momento algum nos diz seu nome, e que terá de lidar com uma situação totalmente além das fronteiras de sua experiência.

Os funcionários de seu escritório são um bêbado excêntrico, o sessentão Turkey; um jovem irascível, que sofre de indigestão crônica, Nippers; e um menino diligente, Ginger boy. A vida seguia modorrenta e relativamente tranquila no escritório, a indolência vespertina de Turkey (graças ao vinho tomado no almoço) e o mau humor matinal de Nippers (provavelmente devido às dores de estômago) se contrabalançando.

Até a chegada pálida de Bartleby, o escriturário.

Como uma assombração, calado, discreto, eficiente, Bartleby a princípio parece inofensivo. Até sua primeira recusa a uma demanda de seu superior – sem indolência, sem um pingo de arrogância, e talvez por isso mesmo tão desconcertante:

“- Eu preferia não fazer”.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Uma entrevista

Trabalhava numa assessoria de imprensa em moda. Mas a combinação trabalho informal + empresa pequena + clientes ameaçando debandar não estava caindo muito bem. O próprio chefe, num gesto raro de generosidade, havia alertado sobre a situação e dito: "se você quiser procurar um emprego melhor, não hesite... Sei dos seus compromissos, não poderia te impedir". Assim começou o garimpo por oportunidades, os contatos com amigos, conhecidos, ex-chefes, colegas de faculdade, enfim, o investimento no famoso network...

Foi durante um coffee break da pós que se deu a investida mais auspiciosa: numa rodinha de bate-papo, uma explicação breve sobre a situação da empresa e, com um ar blasé-mas-nem-tanto, disse que estava buscando uma recolocação profissional – modo sutil de dizer "gente, eu preciso de um emprego!".

Houve aqueles que não deram muita bola, entretidos em elucubrações sobre a textura do pão de queijo. Outros se limitaram a uma função fática básica: "poxa, a sua empresa está ruim é? Que coisa, menina...". Antes que suspirasse com aquela cara de "foi em vão", porém, uma amiga com a qual já havia realizado alguns trabalhos do curso disse as palavras mágicas: "que coincidência, está para pintar uma vaga na área em que eu estou trabalhando. Manda o seu currículo para mim nessa semana".

Dito e feito. A conversa se passou num sábado. Na segunda-feira, foi enviado o currículo, impecável. Quinta-feira, no meio do expediente na assessoria, a amiga liga no celular.

- Você pode vir conversar com o meu gerente hoje? Eu passei seu currículo para ele, e agora no fim da tarde ele vai ter um tempinho, quer conversar com você.

Num breve relance, a reflexão sobre o modo como estava vestida. Sandálias rasteiríssimas, calça jeans terminando um palmo abaixo do umbigo, mini-blusa começando um palmo acima, e um rabo-de-cavalo desses que se usa na quarta-série (bem, era uma assessoria sem muitas convenções ou exigências para quem trabalhava internamente).

- Como assim, Adriana? Eu estou no meio do trabalho, não tem condições de eu conversar com ele hoje!

- E amanhã, pode ser?

- Hum... claro, claro que pode! [Melhor não embromar muito...]

Ali começou o corre-corre desvairado pelos shoppings da cidade para montar o figurino completo, digno das receitas de bolo estampadas nas páginas da "Você S.A" e "Vida Executiva".
                                                                                     ***
Sexta-feira, 10h da manhã, a chegada ao hall do prédio onde seria realizada a entrevista, o Edifício Sede da companhia, centro do Rio de Janeiro. Terno preto, camisa branca, um par de scarpins estalando de novos, brincos de pérola, unhas feitas, perfume suave, maquiagem discreta, cabelos cortados acima dos ombros – só não havia feito escova porque, ora, porque nunca havia feito escova, e destruir os cachos já seria um pouco demais. Alguma coisa tinha de estar espontânea naquele momento...

Estava inacreditavelmente calma ao entrar na sala onde a entrevista seria realizada. Pessoas trabalhando, concentradas em suas máquinas, clima de tranqüilidade. Aquele que poderia vir a ser o futuro chefe se apresentou, convidou para sentar e começou uma conversa amena, antes das perguntas sobre o currículo.

"Por que uma pós em gestão do conhecimento e não em marketing?" "Você fala inglês bem? Fluente?" "Trabalhou no IPPMG, filha? [IPPMG, para quem não conhece, é o segundo maior hospital da UFRJ, voltado à pediatria]. Eu trabalhei no IPPMG antes de entrar na Petrobras! Olha só que coincidência!".

[Suspiro. Coincidência, isso é bom sinal? É? É bom sinal? Tomara que sim].

Finalmente, a hora do pulo do gato. "Filha, gostei muito do seu currículo, mas para te contratar eu precisaria ler alguma coisa que você escreveu". Sem problemas! Um rápido acesso à Internet em um dos computadores disponíveis na sala e, voi-là, saíram quentes da impressora as páginas com alguns dos textos da época em que escrevia matérias sobre inteligência empresarial para um website.

Ele não demorou mais que um minuto lendo provavelmente dois ou três parágrafos dos textos. Levantou os olhos e disse de chofre: "pois é, filha, não tem o que discutir, você está contratada. Começa na segunda-feira. Você é recém-formada, então o seu salário...".

Talvez ele tenha achado um pouco estranho a cara de completa abobalhada da moça que até aquele momento lhe parecera tão sisuda e segura de si. Ou talvez estivesse acostumado com aquilo e gostasse de ver a reação dos entrevistados ao receberem um "você está contratado" assim, de supetão. Mais tarde, descobriria que ele adorava ver a reação das pessoas diante de convites como "filha, você vai ter de fazer um passeio de helicóptero para conhecer uma plataforma. Algum problema em voar de helicóptero?".

(Descobriria também que todo o investimento no visual e na postura havia valido a pena. O gerente levava muito a sério esse valor intangível que tem a imagem de um profissional, uma equipe, uma organização. Inadmissível que um coordenador sob sua gerência fosse a uma reunião com uma caneta bic pendurada no bolso da camisa. E teve aquela vez em que desistiu de contratar uma consultora que, apesar do currículo reluzente, insistira em ir à entrevista mascando ruidosamente um chiclete).
                                                                                    ***
Ao sair do prédio, flutuava; sequer sentia o salto do scarpin se destruindo nas pedras portuguesas das calçadas do centro da cidade (como é difícil ser elegante na Cidade Maravilhosa, onde tudo conspira para o despojamento...).

Flutuava, sim. É que a vida vinha muito difícil. Tinha o medo que muitos estudantes universitários têm de concluir a faculdade e passar meses, um ano, dois até com o diploma debaixo do braço e sem exercer a profissão – o que, aliás, seria uma sorte ainda maior do que nunca chegar a exercê-la, desistir e terminar ficando no meio do caminho, assim pensava.

Para agravar o drama, diferentemente de muitos colegas da mesma idade – tinha 23 anos na época –, não estava vivendo na casa dos pais, sem preocupação em fazer mercado ou pagar contas. Já vivia sozinha, com a filhota que havia nascido ainda no tempo em que cursava a faculdade. Uma luta cuja história, prometo, conto noutra ocasião.